Quem sou eu

Somos a Banda Furiosa, de Cunha-SP, e promovemos, desde 2005, em nossa cidade, matinês ao estilo antigo, com marchinhas e sambas que fizeram a história do carnaval brasileiro. Nosso objetivo é resgatar a inocência das brincadeiras carnavalescas e principalmente educar as nossas crianças e jovens, para que aprendam a se divertir sem os excessos promovidos pelo desequilíbrio de que muitos foliões são tomados nos dias de folia. Salve o carnaval!!! Salve a tradição!!!

domingo, 29 de maio de 2011

Não é preciso apelar

Não sabemos quem é o responsável, mas precisamos alertar nossos amigos e admiradores para uma informação incorreta a respeito da Banda Furiosa no carnaval de 2011. Ela correu mundo, principamente pela internet. Dizia que a Banda Furiosa tem mais de 100 anos de história, o que não é verdade, uma vez que começamos a atuar com esta formação e usando este nome a partir de 2005. A tradição de bandas de música em Cunha é que tem aproximadamente 170 anos. E para quem quiser saber mais a respeito desta tradição, teremos o maior prazer em detalhá-la, com respaldo de informações colhidas pelo historiador de Cunha, professor João Velloso, nosso amigo.
Não é preciso inventar coisas que não existem para chamar a atenção das pessoas. Isso é mais sensacionalismo, sujeira mesmo. Não precisamos disso. Cunha precisa é de informações coerentes e verdadeiras para chamar a atenção de pessoas que se interessem pelo desenvolvimento social, educacional, cultural e econômico de nossa Estância Climática. O perigo maior de se inventar algo que não existe para chamar a atenção de pessoas que não nos conhecem não é apenas o caso de se processar judicialmente o responsável pela propaganda falsa; mas é essas mesmas pessoas não encontrarem o que a publicidade afirma que o local tem, e, por causa da propaganda enganosa, não voltarem mais e espalharem informações negativas sobre o lugar visitado .
Desenvolvimento acompanhado de verdade e moralidade: é disso que nós, cunhenses, precisamos. Sem apelações, por favor.
                                                                                                         Victor Amato dos Santos.

sábado, 2 de abril de 2011

Carnaval 2011

     O carnaval 2011, para nós da Banda Furiosa, foi mais que uma oportunidade de apresentar o que de melhor sabemos fazer: conseguimos trazer a alegria dos antigos carnavais de Cunha, concretizada especialmente nos bonecos que saíram conosco, parte das tradições que não podem se apagar porque são a nossa maneira de ser, sem fingimentos, sem sofisticações, sem mesmo grandes pretensões. Nosso único objetivo foi mostrar para a juventude e para os visitantes elementos praticamente extintos da nossa cultura e que não podem mais ficar de fora na festa carnavalesca.
     Se as crianças se esbaldaram na folia presente em todas as tardes de carnaval na praça Cônego Siqueira (praça da matriz), esse banho de alegria, em grande parte, foi proporcionado pelas lágrimas dos mais velhos, principalmente dos inúmeros avós e muitos bisavós que as acompanharam e tiveram, assim, a oportunidade de relembrar a própria infância e juventude. Deu tudo certo, porque esses olhos lacrimejantes também lavaram as impurezas que costumam ser associadas ao carnaval, e a festa acabou se transformando num grande encontro da família CUNHA.
     Nem os bonecos assustaram as crianças, como costumava acontecer antigamente. Ao contrário, viraram amigos delas e, a partir de agora, fazem parte das boas lembranças de suas vidas.
     Agradecemos a todos os que brindaram as matinês deste carnaval com a presença festiva, e é só aguardar a BANDA FURIOSA no ano que vem, para uma novo carnaval, ainda mais divertido do que este.
                                                     Victor Amato dos Santos e membros da BANDA FURIOSA.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Tio Léo

Tio Léo

Quem de Cunha não conhece o tio Léo (Leopoldino Fernandes de Toledo)? Oitenta e oito anos de pura alegria e jovialidade. É dessas pessoas que fazem a gente sentir prazer de viver, só de estar com elas. Todo dia, cedinho, fôrma de salgadinhos às costas – deliciosos, por sinal, que ele e a Inês, sua segunda esposa, fazem com o maior capricho – , sai ele para abastecer as estufas de alguns dos supermercados e padarias de nossa cidade.
Sinto-me muito feliz sempre que me lembro de que tenho um tio Léo como parente.
Tio Léo é o irmão mais velho de minha avó materna e o único ex-integrante vivo do antigo Bloco do Zé Padeiro (José Antonio Moreira, com quem ele diz que aprendeu a trabalhar com o trigo).
Atualmente, não conheço por aqui maior e melhor contador de causos. Que memória! Assunto é o que não falta para ele. E para improvisar versos então? Logicamente que sobre temas engraçados.
Como andou sumido por esses dias, em primeiro de fevereiro último passei em sua casa para saber o que estava acontecendo. Achei-o sentado com a esposa, na garagem da casa simples, mas confortável, onde moram com o filho Leozinho, único do segundo casamento, rapaz de vinte e poucos anos (tio Léo tem outras três filhas e um filho do primeiro matrimônio).
Cabeça baixa, respiração ofegante acompanhada de um assobio, triste (opa!!!!), falando de ir embora pro outro lado. A Inês me disse que ele andava ultimamente com a pressão alta, e que dias antes havia sentido tonturas na rua, precisando deixar a fôrma de salgados sobre a calçada por onde ele ia e, de joelhos, apoiar-se sobre as mãos, até que alguém caridoso o ajudou a levantar-se e a voltar para casa. E desde então o tio não estava mais saindo sozinho.
̶ Ninguém liga pra mim, meu fio! ̶ reclamou o tio, carente de uma boa prosa.
Conversa vai, conversa vem, das doenças e tristezas o tio Léo passou a relembrar, sem que nem eu nem a Inês sugeríssemos isso, os tempos de carnaval dos anos de sua juventude, no final da década de 1930 e início da década de 1940, quando ele, o tio Dorinho, o tio Zé Veloso, João Bentinho (carregador oficial do boi), Zazá, Zé Capítulo, Antonio Alves, dentre outros, saíam às ruas de terra de Cunha, constituindo a formação do Bloco do tio Zé Padeiro, marido da tia Leontina Teófilo (esta irmã do meu bisavô Vardo Teófilo, pai do tio Léo).
E uma luz foi-se acendendo em seu rosto, pouco a pouco, à medida que ele ia contando o que lembrava.
Já sentados, nós três, na cozinha de sua casa, a Inês preparando um delicioso cafezinho que fomos saboreando depois na sequência da conversa, o tio Léo cantou marchinhas de carnaval como Chica, Chica Boa!, Jardineira, Upa, Upa! (A canção do trolinho), Alah-la-ô...; e foi ficando cada vez mais animado, cantando com voz cada vez mais forte, batendo a mão direita sobre a mesa como quem marcava batidas num surdo de bloco carnavalesco. Cantava e ria (Graças a Deus!!!), aquele sorriso largo e gostoso que só ele sabe dar.
Perguntei-lhe sobre os ensaios do antigo bloco, o local de realizá-los, os bonecos, enfim. Eu não podia perder a oportunidade de informar-me sobre os mínimos detalhes do saudoso tio Zé Padeiro, que proporcionou ao povo de Cunha tanta alegria e diversão nos idos carnavais de mais ou menos setenta anos atrás.
O tio Léo contou, com a maior riqueza de detalhes possível, sobre o Boi Maiado (Malhado) e a Miota (que, às vezes, ele chamava de Maria Angu). Parecia que eu estava assistindo a um documentário numa TV.
E como notei que ele estava cada vez mais bem disposto, depois de uma hora e meia mais ou menos de conversa nossa (na verdade, quem falava era ele, pois quem quer aprender tem que fechar a boca e abrir os ouvidos), perguntei-lhe se ele podia ir comigo à minha casa, que eu queria lhe mostrar uma coisa, mas não ia dizer o que era. Só ele indo mesmo pra saber do que se tratava. Na hora ele se levantou da cadeira, foi no quarto trocar as havaianas por um par de sapatos, acertou a camisa, penteou-se e fomos.
...
Chegamos. Abri o portão da frente de casa e estacionei o carro diante da porta de folha da minha garagem. Descemos.
Quando abri a referida porta e ele enxergou o boi Amoroso e a boneca Dengosa lá no canto, foi a cena de maior alegria que eu já tive a oportunidade de ver na minha vida: o tio Léo entrou na garagem aos pulos, eufórico: Ói lá, o “Maiado” co'a Miota!!!!!! Mais meu Deus do céu!!!!!! Meu fio, ocê ficô no lugá do Zé Padero!!!!!! Qui beleza, meu fio!!!!!!! Era desse jeitinho memo, num tem o qui tirá nem pôr!!!!!!! E se pôs entre os bonecos, chorando de contentamento: Dá até vontade de já saí dançano!!!!!! E começou a cantar e a dançar no meio deles. Foi a prova mais clara que já tive de que, nesta vida, a única coisa no ser humano que envelhece mesmo é o corpo. Diante dos meus olhos estava uma verdadeira criança num corpo de 88 anos, no auge da felicidade por haver reencontrado o brinquedo perdido. Engasguei e meus olhos se embaçaram de lágrimas, que fiz força de não deixar que escorressem pelo meu rosto para ele não se aborrecer.
Em seguida, subi até em casa, dizendo que ia chamar minha esposa. Mas minha intenção mesmo era pegar a câmera digital para registrar aquele momento único. Não perdi tempo. Desci novamente na garagem e lhe pedi: Eu posso tirar um retrato do senhor, tio, junto com os bonecos? Mais que depressa, ele respondeu: É já, meu fio! Que jeito que ocê qué que o tio fica? E lhe pedi que ficasse entre os bonecos mesmo. O difícil foi a alegria deixá-lo ficar parado. Fiz algumas fotos, que ficaram muito boas. E não perdi a oportunidade também de gravá-lo contando mais detalhes sobre sua vida e sobre os antigos carnavais de Cunha.
De volta à sua casa, ele não se cansava de me dizer, já por dentro do portão: Quero tá lá veno ocêis, meu fio! Num vô perdê de vê ocêis saino desse jeito no carnaval!
...
̶ Bença, tio Léo!

Victor Amato dos Santos – 07.02.2011

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Marchinha da Banda Furiosa

Marchinha da Banda Furiosa
(Victor Amato dos Santos – 26.01.2010)



Corra pra rua, pra calçada,
abra a janela!
Venha com a gente
do jeito que você !                                    BIS
É carnaval,
e a Furiosa vai passando.
A alegria quer você aqui, mas já!


Pegue o confete e a serpentina.
A fantasia pode ser só um lençol.               BIS
Com a Furiosa todo mundo brinca
até a terça-feira, na hora do pôr-do-sol.


Ô sol, veja se demora,
na terça-feira, para ir embora!                     BIS

Marchinha da Boneca Dengosa

Marchinha da Boneca Dengosa
(Victor Amato dos Santos – 07.05.2010)



A Dengosa chegando.
Ela quer um namorado.
Pode ser novo ou coroa.
Só não pode ser casado.

Ela gosta da criançada.
Vai sair no nosso meio
pra puxar a Furiosa:
é por isso que ela veio.                          BIS


Vamos, Dengosa! Vá puxando a brincadeira.
Pra arrumar um namorado, você tem a tarde inteira.               BIS

Marchinha do Bloco do Chapéu de Palha

MARCHINHA DO BLOCO DO CHAPÉU DE PALHA
(Victor Amato dos Santos – em 10.06.2010)


O broco vem chamano a praça intera.
Ele foi feito pra caipira que nem eu.
A fantasia é só um chapéu de paia.                          
E se a ropa tá rasgada,
É ansim memo, não tem nada.                               (BIS)

A Furiosa atacano de marchinha.
A criançada tamém tá nessa aligria.
Ocê não vem? Então não fai .
Tem pra mim um broco intero
Pr’eu brincar no carnavá.                                     (BIS)

Banda Furiosa - Histórico

A Banda Furiosa é um grupo musical criado no ano de 2005, com a finalidade de atuar nas festividades carnavalescas da cidade de Cunha. O conjunto tem por exclusividade executar em seu repertório carnavalesco marchinhas e sambas antológicos dos carnavais brasileiros.É composto por músicos da própria cidade de Cunha, oriundos da banda de música local, e dentre os que tocam instrumento de sopro é feito um rodízio a cada ano, para que se dê oportunidade aos demais que também se destacam, num critério de seleção que se baseia na competência de cada músico, exclusivamente.O grupo musical é composto por 12 a 13 pessoas, devidamente uniformizadas com camiseta e bermuda nas cores verde e vermelha, em referência aos principais blocos carnavalescos da cidade de Cunha – a primeira, do bloco Pé-de-Cana; e a segunda, do Dragões do Morro -, de modo a sugerir uma convivência amistosa e solidária com todos os envolvidos nas festividades de Momo cunhenses.A partir de 2009, o grupo passou a participar das comemorações natalinas e distribuição de brinquedos – promoção da Prefeitura Municipal da Estância Climática de Cunha –, quando executa músicas natalinas e infantis.Os integrantes da primeira formação do grupo e que permanecem em atuação todos os anos são: Adilson Alves de Toledo (surdo); Antonio Benedito dos Santos – Tonico Capítulo (contrabaixo); Eurípedes Roberto Amorim (trombone); Eurico José de Oliveira (caixa); José Capítulo Filho (cavaquinho); José da Silva (ganzá / /suporte durante as apresentações); Victor Amato dos Santos (organizador e responsável pelo grupo; atuação musical como cantor e em trompete); Wagner Wesley de Sales (surdo).Para o carnaval 2010 e seguintes, foi criada a Marchinha da Banda Furiosa pelo organizador do grupo, Victor Amato dos Santos, em resposta a uma sugestão dada por sua esposa no dia 26 de janeiro do ano em questão. Na mesma tarde do referido dia, foram criadas letra e melodia. No dia 15 de fevereiro (segunda-feira de carnaval), foi realizado um programa especial de carnaval na Rádio Serrana FM, da cidade de Cunha, a convite do radialista José Antonio Vaz de Oliveira. Na ocasião foi feito o lançamento da recém-criada marchinha numa apresentação oficial para o público. O programa foi feito ao vivo, e uma cópia da gravação do mesmo foi oferecida gentilmente da parte do radialista ao responsável pelo grupo, como prova de amizade, de respeito e de consideração pelo trabalho a que o conjunto se dedica.Também no mesmo ano de 2010, foram tiradas e oferecidas em CD por Wagner de Oliveira Júnior ao responsável pela Banda Furiosa, fotos da atuação musical do grupo na praça Cônego Siqueira, na tarde do sábado de carnaval (13/02). Mais uma prova de amizade e de reconhecimento pelo valor cultural e artístico do grupo musical, segundo este nosso apreciador.
Na sequência do ano de 2010, já em preparação para o carnaval de 2011, foram criados os bonecos Dengosa e Boi Amoroso (trabalho artesanal do responsável pelo grupo), que passarão a acompanhar a Banda Furiosa em suas apresentações, a fim de tornar mais animadas as tardes de carnaval em Cunha; e também a marchinha da mesma boneca – esta na data de 07 de maio. O mesmo responsável pelo conjunto criou também, ainda em 2010, a Marchinha do Bloco do Chapéu de Palha, numa homenagem à cultura caipira cunhense e para incentivar a sua integração às festas carnavalescas.Na recriação de um personagem dos antigos carnavais cunhenses – o Boi Chimemé -, o Boi Amoroso é uma homenagem, através desse resgate cultural, a duas referências históricas da cultura popular de nossa cidade: José Antônio Moreira (Zé Padeiro) e José Velloso Sobrinho (tio Zé Velloso). E para a apresentação deste personagem folclórico, foi necessária a atualização da letra da canção do Boi e a adaptação da música ao ritmo de maracatu. Na letra, os receptores das partes do mesmo tiveram os seus nomes trocados pelos de pessoas nossas contemporâneas.Enfim, nossa prioridade é integrar educação, cultura e lazer às atividades desenvolvidas pelo nosso grupo durante as festividades carnavalescas, oferecendo aos nossos conterrâneos (principalmente às crianças) e aos nossos turistas amigos o que o nosso jeito cunhense de ser tem de melhor.

Bonecos Dengosa e Boi Amoroso

Com a intenção de resgatar as tradições dos antigos carnavais cunhenses, surgiu-me a ideia, já em 2008, de mandar fazer bonecos gigantes, para que a Banda Furiosa saísse mais completa às ruas de Cunha, mostrando ainda mais qualidade em suas apresentações.
Certo dia, ao encontrar-me com o Fábio Átila, um amigo que procura manter na cidade o trabalho artesanal de confecção de bonecos gigantes e do tradicional Judas de Cunha, perguntei-lhe em quanto ficaria a construção de um boneco gigante. Ele se referiu ao valor pedido por mim, mas fiquei de pensar na possibilidade, não tanto pelo preço, mas por eu já ter em mente a fisionomia desejada por mim para compor o rosto do boneco; e achei difícil tentar passá-la ao Átila através de desenho, para que ele a fizesse.
Passaram os carnavais de 2008 e de 2009, e nada de boneco gigante.
Para o carnaval de 2010, fiz-me um juramento: eu mesmo tentaria fazer o boneco, sem preocupações com perda de material, caso meu intento não desse certo. Eu começaria a fabricá-lo assim que terminassem os serviços de carnaval daquele ano. E foi exatamente assim que aconteceu: comecei a fabricá-lo na quinta-feira, dia 18 de fevereiro, seguinte à quarta-feira de cinzas daquele ano. Resolvi começá-lo logo, para ter o ano todo como tempo para fazer um serviço bem caprichado, sem correrias.
Usando apenas minhas horas vagas (que não são muitas), com experiências que, em 95%, deram certo na primeira tentativa, consegui fazer uma boneca gigante em apenas cinco meses _ prazo relativamente curto para quem nunca tinha mexido com isso. O resultado, para mim, foi muito satisfatório, uma vez que consegui concretizar a imagem que tinha formado em minha mente sobre como essa boneca seria. Dei-lhe, em seguida, o nome de Dengosa, por achar melhor nomeá-la com uma característica (que por sinal lhe é bem apropriada) do que com um nome próprio, pois isto poderia, em alguma ocasião, ofender a alguém que tivesse o mesmo nome que o da boneca, o que jamais seria minha intenção.
Fiquei tão empolgado com o resultado que obtive da confecção da boneca Dengosa, que, dois meses depois de terminá-la, isto é, em setembro do mesmo ano, resolvi fazer também um boneco de boi, que relembrasse a tradição do bloco do Zé Padeiro nas décadas de 1940 e 1950, que tinha o boi Pintadinho, e a brincadeira do boi Chimemé, do tio Zé Veloso, um dos integrantes do bloco referido anteriormente.
Não deu outra: em novembro, o boi estava pronto. A experiência da confecção da boneca me fez reduzir em três meses o tempo para construí-lo. Assim como fiz com a boneca, dei-lhe o nome de Amoroso. O resultado empolgou a todos os que tiveram oportunidade de ver a ambos antes do carnaval de 2011.
Mais um pouquinho: no mesmo período em que eu fazia a boneca Dengosa, compus letra e melodia de mais duas marchinhas, para serem estreadas também no carnaval de Cunha em 2011: a Marchinha da Boneca Dengosa e a Marchinha do Bloco do Chapéu de Palha (esta é uma homenagem ao jeito rural , simples e encantador do meu povo, os cunhenses, especialmente dos meus antepassados). Ao terminá-las e cantá-las com acompanhamento de meu violão, senti o mesmo que toda vez em que ouço cantarem o Hino do Município do Cunha, que o Ernesto Veloso, o Tonico Capítulo e eu fizemos: um nó na garganta acompanhado de olhos marejados.
Enfim, a Banda Furiosa está se estruturando cada vez melhor, para levar o nome dos carnavais de Cunha para onde quer que seja. Há uma preocupação de oferecer aos nossos visitantes, os turistas que querem conhecer as coisas da nossa terra, opções de divertimento que façam com que eles tenham vontade de voltar para provar outras vezes do nosso tempero cunhense. E quem prova dessa nossa panela de cultura e de tradições jamais esquece o sabor e sempre volta, pelo menos uma vez a cada ano, para provar mais um pouquinho.

Victor Amato dos Santos - dezembro de 2010.